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A MORTE DE HELDER PROENÇA

ENVIADO POR UM VELHO E BOM AMIGO.


Noticias de Bissau:

Os militares estenderam uma cilada a Hélder Proença e mataram-no. Convenceram-lhe da existência de uma grave e irreconciliável contradição entre António Injai e Zamora Induta. António Injai como verdadeiro detentor de poder militar, herdado da organização concebida pelo próprio Hélder Proença na altura contra NINO VIEIRA, de quem era Ministro da Defesa, ia então separar-se de Zamora Induta, conotado como muito próximo de Carlos Gomes, inimigo mortal de Hélder Proença e Nino Vieira. Os serviços secretos que já tinham instrumentalizado Tagmé na Wai até a sua morte com falsas informações sobre a bomba e sobre a responsabilidade de Nino Vieira na tentativa de assassinato do chefe de estado-maior, conhecendo a determinação de Hélder Proença em derrubar o Governo de Carlos Gomes e de afastar Zamora da chefia militar, prepararam uma longa e paciente cilada, destilando falsas informações sobre tensões nos quartéis, ora nos Para Comandos, ora no próprio seio do Estado Maior. Simularam que um falso golpe de estado em preparação e convencendo-lhe que ele fazia parte da solução.
Hélder acreditou e sucumbiu porque António N'djai fala com ele regularmente e deu-lhe garantias, após receber da parte do antigo ministro informações que apontavam Zamora Induta e Carlos Gomes como os verdadeiros mandantes do duplo assassinato de 1 e 2 de Março.
Quando atravessou a fronteira, na noite da quinta-feira, ele foi recebido por um grupo de militares “ditos descontes” que deviam conduzi-lo a um encontro com António N'djai. Trouxeram-no até à casa e depois à base aérea em Bissalanca, onde, para a sua surpresa foi apresentado a Zamora Induta. Eram 23H30. Nesse instante apercebeu-se da cilada, mas já era tarde. Foi humilhado, espancado pelo chefe militar que depois ordena o seu assassinato, o que viria a acontecer, uma hora mais tarde, em Braia, ponta de Augusto Dama, entre Joao Landim e Bula.
Hélder chegou de Ziguinchor sozinho e desarmado, conduzido por Lamine, um motorista senegalês. A travessia da fronteira num momento em que esta estava fechada foi facilitada pelos serviços secretos guineenses, através dos chamados soldados revoltados fiéis a António N'djai. As duas pessoas que com ele foram abatidas eram o seu condutor pessoal, que o foi buscar em Nepaque e um amigo com quem se encontrava numa confraternização, num dos bairros da capital e que quis acompanha-lo.
Assassinato selectivo ou limpeza política
O comunicado do Ministério do Interior sobre os acontecimentos denunciava uma alegada tentativa de golpe de estado, justificando as mortes registadas com alegadas resistências no momento da prisão dos implicados. Ora, segundo informações e fontes contraditórias, nem se podia falar de uma tentativa iminente de golpe Estado, nem da resistência das pessoas abatidas. Nenhum militar foi preso, nem mencionado como parte da conspiração, o que causa sérias dúvidas quanto à versão governamental dos acontecimentos. As fontes conhecedoras da vida e história política nacional garantem que Bassiro Dabó e Hélder Proença jamais de juntariam em qualquer projecto, nem político, nem económico, por divergências antigas e bem alicerçadas. Aliás, em 2006, Bassiro Dabó, então Secretário de Estado no Ministério do Interior havia acusado Hélder Proença e Tagmé Na Waie de estarem a preparar uma conspiração para derrubar o presidente Nino. Da mesma maneira, estranha é a associação seja entre Hélder Proença e Faustino N'Bali como deste último e Bassiro Dabó. Conclui-se então que esta operação dos militares visava tão apenas assassinar algumas personalidades que inquietavam, tanto mais que pouparam a vida a Faustino Imbali, gesto por muitos comentado como expressão do pacto de Nhinte.
O assassinato de Hélder Proença tinha sido concebido, inicialmente como uma operação de gangster: começa com um rapto, seguido de homicídio, com balas alvejando certeiramente o coração dos três homens no flanco esquerdo, o que desacredita a tese de resistência e troca de tiros. Depois, o corpo das vítimas são abandonados na estrada, sendo isso testemunha de amadorismo, crueldade e de falta de respeito à dignidade humana, mas sobretudo, expressão que ninguém teria de prestar contas pelo ocorrido. Alguns minutos depois, o corpo é recuperado pelos malfeitores que o foram deitar num contentor de lixo, no Hospital Central de Bissau. Como se pode conceber uma actuação destas por parte de uma instituição do Estado, de uma organização responsável? Como é que o Governo pode endossar a responsabilidade não só do assassinato mas também do vexame a que foram submetidos os restos mortais destes cidadãos? Como disseram alguns círculos diplomáticos, as forças armadas guineenses tornaram num perigoso bando de malfeitores: gangsters.
Os militares e o Governo enfrentam dificuldades para justificar os acontecimentos da semana passada. Falam de uma gravação, mas não se apressam a difundi-la através dos órgãos de comunicação. Quiseram o apoio dos serviços do Ministério do Interior, alegando que foram estes que solicitaram a intervenção dos militares, mas o DG da segurança recusa esta tese e recusa a assinar o comunicado preparado pelos militares, razão pela qual se encontra detido, desde a sexta-feira passada. Mesmo admitindo a tese de Golpe de Estado, muitas dúvidas ficam por esclarecer: qual era o grau de preparação? O perigo era assim eminente? Que forças estavam envolvidas (militares, bem entendido)? E porque é que nenhum militar foi preso? Porque é que as pessoas foram abatidas se já estavam detidas? Todas estas questões conduzem à conclusão de que não houve tentativa de golpe e nem foi essa a razão dos assassinatos. Houve sim um ajuste de contas e uma operação de limpeza política.
O assassinato dos dois ex-ministros e eminentes personalidades políticas suscitou tristeza mas muita indignação, senão mesmo revolta na sociedade guineense. Mortes injustificadas, dizem alguns e limpeza política, dizem outros. Uma multidão inesperada acorreu à pequena morgue da capital para prestar homenagem a vítimas daquilo a que eles agora chamam de “esquadrão da morte”. Quer Proença quer Bassiro Dabó eram personalidades de proa e muito populares, não só como políticos mas também como destacadas figuras do mundo cultural, poeta e músico, respectivamente.
Quando muitos guineenses julgavam que as matanças haviam terminado com o desaparecimento de Nino Vieira, os factos infelizmente confirmam a violência política faz parte da idiossincrasia guineense, lembrando o assassinato de Amílcar Cabral, Honório Sanchez Vaz, Cesário Carvalho de Alvarenga, Paulo Dias, Momo Turé, José Francisco, Osvaldo Vieira, Paulo Correia, Viriato Pam, Ansumane Mané, Veríssimo Seabra e tantos outros actores importantes da vida política nacional. Há porém uma constante: o papel dos homens em farda, que se transformaram em verdadeiros assassinos em série. Impotentes perante esta situação, cresce a legião de guineenses reclamam a vinda de uma força internacional como aconteceu em Timor Leste, evitando o completo afundamento do Estado guineense.
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# Posté le vendredi 12 juin 2009 09:13

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