"depois da retirada dos portugueses vamos continuar a nossa luta de reconstrução do nosso país"
“é possível a negociação e cooperação com Portugal em tudo, a nossa independência não”
(Tchico Té)
Estas frases de Tchico Té, têm alguma semelhança com as de Rafael Barbosa, numa entrevista levada a cabo no presídio político da Ilha das Galinhas : " é impensável a independencia sem os Portugueses" , alegando nao ter nada contra os portugueses, mas sim contra a politica fascista e de exploraçao imposta na Guiné.
Existem dados que falam de encontros relampago, no Senegal, entre Tchico Té, Rafael Barbosa e Uma façao Portuguesa de esquerda.
Tchiko Té, ké que matau disastri faladu kuma (...)
I para pa djuda si amigo, Camara abo que matal (...) camarada bu ka bali (...)
E bin na falanu kuma, disastri que mata Tchiko Té.
Bo tchoman pa no bai na baloba (....)
Zé Manel ( musico Guineense)
Estas foram as histórias que ficaram, e que insistiram em repeti-las uma e outra vez depois do Golpe de novembro de 1980. Quando Assassinaram Cabral pela 2ª vez.
Segundo Fontes Fidedignas, as história coincidem:
Francisco Mendes (Tchico Té), segundava Luis Cabral na frente norte. Destacou como grande combatente e estratega militar ao lado de Luis Cabral. Foi o primeiro chefe do executivo na Guiné-Bissau conhecido localmente por "Tchico Té", quando o país ascendeu unilateralmente à independência de Portugal, a 24 de Setembro de 1973, na altura o cargo denominava-se "Comissário Principal". Esse lugar foi ocupado posteriormente pelo que ainda hoje é o presidente da república, Nino Vieira.
Havia muito mais que contar sobre Tchico Té, mas vamos diretamente aos seus ultimos momentos de vida.
Depois da independencia, decorria o ano de 1976, Tchico Té ficou a ocupar o Lugar de Luis Cabral, por orden natural, tomando as rédeas dos destinos do país, na ausencia do presidente que se encontrava em visita oficial a Moçambique. Nino Vieira encontrava-se em Cuba a fazer um curso militar, para a sua graduaçao a General.
Estando o comandante Pinto, de Bafatá, em apuros matrimoniais com a sua esposa, à beira da separaçao, Tchico Té decide interferir, deslocando-se a Bafatá.
Amigos da luta, Tchico Té nao podia deixar que aquilo acontecesse uma vez que conhecia perfeitamente o comandante Pinto, bem como a sua esposa. O comandante nao foi sosinho. Fez-se acompanhar de outro amigo, que podia dar uma ajuda bastante proveitosa no sentido de recompor as coisas entre o casal. O amigo era Constantino Teixeira (Txutxu Axon), ministro do interior.
A missao foi concluida com sucesso, em Bafatá, e decidiram ir celebrar o feito para Bambadinca. Entre muitos copos e petiscos, bailarico incluido, Tchico Té já estaria meio alterado. Terá começado num namorisco com uma rapariga de Bambadinca, que às tantas, o protocolo que o acompanhava, deu conta que o casal estava a entrar para a parte trazeira do carro. Numa medida de recurso, o protocolo uniu-se ao grupo, empurrando a rapariga para ocupar lugar ao lado de Tchico Té e da “namorada”. Fazendo-se desentendido da situaçao deu ordem ao chofer para arrancar , e que os conduzisse de volta a Bafatá.
O Txutxu ficou desorientado quando deu conta de que o comissário principal, presidente em funçoes tinha desaparacido, e num gesto brusco fez questao de dirigir-se imediatamente para Bafatá em busca do seu amigo e camarada, visto que a responsabilidade era muita da sua parte. O txutxu era o ministro do interior. Lancou-se numa perseguiçao ao veículo de Tchico Té, com o qual nao conseguiu contacto visual. Chegando a Bafatá, surpresa. Francisco Mendes nao tinha chegado.
Voltou para trás, e quando passou sobre a ponte em direcçao a Bambadinca, viu o protocolo na estrada com ar de desespero. Txutxu tentou ajudar, mas já era tarde demais para o seu camarada de armas. Adeus Tchico Té.
O carro do presidente em funçoes, vinha de Bambadinca para Bafatá. Antes de entrar na ponte, há uma curva pouco pronunciada, à esquerda,traiçoeira porque nem parece uma curva. traiu o condutor. Quem conhece o lugar sabe do que se trata.
Quando Txutxu passou pelo local, nao viu ninguém porque os sobreviventes ainda estavam a tentar recuperar-se do choque e livrar-se dos obstaculos que os impedia de abandonar a viatura.
O interesse de que se faça circular outra história, talvez por perguiça ou medo de questionar verdades que foram servidar em bandeja ou ainda por um defeito de caracter do nosso povo. O de apontar o dedo. fez-se questao de apontar o dedo a Constantino Teixeira (Txutxu Axon), pela morte do seu camarada e amigo.
Hà coisas que nao se fazem, mas é assim a luta pelo poder em na Guiné-Bissau. Muitos dos estao vivos e sabem estas história continuam a contribuir com o seu silencio para que estes boatos se mantenham, sabe-se lá para beneficio ou prejuizo de quem.
QUE A ALMA DO GUERRILHEIRO DESCANSE EM PAZ